_MG_6101

A sessão temática VI, sobre as perspectivas futuras da enfermagem oncológica tanto no contexto europeu como no contexto português, foi ministrada pela Dr.ª Cristina Lacerda, do IPO de Lisboa, e pelo Dr. Bruno Magalhães, do IPO de Porto.

Para explicar as perspectivas futuras da enfermagem oncológica no contexto europeu interveio a Dr.ª Cristina Lacerda. “Os enfermeiros são o maior grupo de técnicos de saúde da Europa. A enfermagem deve lutar para providenciar o maior cuidado a todos os cidadãos europeus”. Em termos de número de médicos por mil habitantes a concentração é muito superior relativamente ao número de enfermeiros na Europa: “Devíamos ser muito mais enfermeiros para cada médico”.

A AEOP pertence à EONS, que representa 33 sociedades europeias. A EONS pertence à ECCO, que conta com sociedades médicas e de enfermagem (todas as profissões que podem contribuir para o tratamento do doente oncológico). “Nós somos bons. O problema é que o Governo não nos deixa contratar mais pessoal. Precisamos de mais enfermeiros para fornecer os cuidados necessários aos doentes”

75% das decisões relativamente à saúde são tomadas a nível da União Europeia. Depois cada país aplica as recomendações de acordo com as suas políticas internas, tendo em conta vários factores.
A ECCO pretende melhorar os resultados dos doentes de cancro na Europa através da multidisciplinaridade. Para isso promove, entre outros, congressos europeus multidisciplinares e a união através da partilha de conhecimentos dos profissionais que contribuem para o tratamento do doente oncológico.

A Dr.ª Cristina Lacerda sublinhou que é necessário pressionar a União Europeia no que a este tema diz respeito, de modo que existam iniciativas políticas vantajosas (como por exemplo a de não permitir que um profissional de saúde trabalhe durante 24 horas seguidas) e que se crie uma força de trabalho unida, informada, competente e com um número de profissionais suficiente para o acompanhamento necessário ao doente oncológico. “A política hoje em dia está a melhorar relativamente àquilo que foi há uns dez ou 20 anos atrás”.

Quanto ao contexto português, o Dr. Bruno Magalhães propôs um ponto de reflexão: o contexto da realidade oncológica depende muito do doente oncológico. São diagnosticados 40 a 45 mil novos casos de cancro em Portugal, e “existe 50% de possibilidade de se desenvolver cancro ao longo da vida”.

No futuro vamos ter doentes mais velhos, mais dependentes e mais isolados, factores relacionados com o fenómeno do envelhecimento. O último relatório da Direcção Geral da Saúde mostra-nos precisamente isto: vamos ter um envelhecimento da população, aumentando a probabilidade de ter cancro ao longo da vida. “Hoje em dia há 50.000 casos de cancro em Portugal. Em 2035 vão ser mais de 60.000”.

Esta epidemiologia do cancro traz “o aumento da esperança de vida (melhores resultados com outras patologias e em oncologia), o aumento das segundas e terceiras neoplasias, a modificação dos estilos de vida, uma maior agressividade terapêutica, uma maior interdependência das modalidades terapêuticas, e um aumento significativo dos custos. Também traz a necessidade de melhores cuidados de fim de vida.

11.6% dos internamentos hospitalares são devido a doenças oncológicas. A admissão para quimioterapia e imunoterapia com condições neoplásicas tem vindo a aumentar. Quais são as possíveis implicações disto? Passam por “uma maior necessidade de cuidados de enfermagem e de meios complementares, pela necessidade de novos meios de comunicação, e pelo RNCCI, que pode dar apoio de retaguarda ao doente oncológico.

No ano passado havia 1600 enfermeiros oncológicos em Portugal. Há dez anos tínhamos menos 50% dos enfermeiros que temos hoje em oncologia. Isto deve-se ao facto de, entre outros, haver cada vez mais redes especializadas e hospitais a descentralizarem-se.

A formação de enfermeiros oncológicos em Portugal é variada: existem várias escolas superiores com hipótese de licenciaturas, cursos de pós-graduação, e cursos de pós-especialização em enfermagem médico-cirúrgica com a vertente de oncologia. A Liga Portuguesa Contra o Cancro tem cursos breves, e nota-se que há a preocupação de uma forma geral de formar enfermeiros nesta área, porque já se viu que é uma área com um “conhecimento muito específico”. É necessário “investigar, divulgar, informar”.

A AEOP vai “tentar demonstrar o que vale junto da ordem, para demonstrar de facto que a especialidade é uma necessidade para quem trabalha nesta área”.

_MG_6083

O Dr. Manuel Neves, do Hospital de Santa Maria, interveio no Simpósio da Janssen a propósito da gestão da terapêutica antineoplásica.
Apresentou um caso clínico de hemato-oncologia, que é a sua área de intervenção, e concentrou-se no fármaco Bortezomib: “Um novo fármaco é outra coisa. Este já não é novo”. Este medicamento é eficaz, seguro e tolerável. É usado no mieloma múltiplo, que representa 1 a 2% de todas as neoplasias.
“Quando falamos de Bortezomib interessa que há uma diferença de sobrevivência global entre o antes e o depois da utilização deste fármaco”.
O Dr. Manuel Neves comentou o impacto da dose cumulativa no mieloma múltiplo, que pode levar a um efeito adverso grave: a neuropatia periférica.
Foram explicadas as estratégias de prevenção deste efeito adverso, e para a detecção do mesmo existem questionários específicos.
As estratégias para reduzir a neuropatia periférica passam por analisar a história clínica dos doentes, pela administração semanal (em vez de várias vezes por semana) e pela formulação subcutânea. “O Bortezomib subcutâneo é o que fazemos em Santa Maria. Diminuiu em muito a neuropatia periférica”.
Reduzir a dose do Bortezomib é eficaz mas apesar disso a dose de Bortezomib é decisiva, “porque o efeito adverso é grave e há que saber geri-lo”. Para uma boa gestão do tratamento o Dr. Manuel Neves sublinhou a importância de trabalhar em equipa no tratamento do doente.
A Dr.ª Sara Parreira, do serviço de oncologia do Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca (HFF), seguiu-se ao Dr. Manuel Neves neste simpósio.
“Os números estão a crescer”. Há cada vez mais adesão a terapêuticas orais antineoplásicas: “em 2003 apenas 5% das terapêuticas antineoplásicas que tínhamos eram orais”. Mas em 2012 25% das terapêuticas eram orais. Isto aconteceu porque a terapêutica oral é muito vantajosa para a pessoa com doença oncológica: é muito mais conveniente e mais fácil de gerir. Há também vantagens económicas.
Apesar de tudo, também existem desvantagens, e a principal é a adesão. Quem administra o medicamento oral é o paciente, pelo que a probabilidade de haver uma falha na toma da dose recomendada aumenta, prejudicando o doente e a sua situação, em vez de a melhorar. Posto isto, a Dr.ª Sara Parreira apresentou o projecto que tem vindo a desenvolver no HFF com mais colegas: um projecto de melhoria contínua dos cuidados de enfermagem. O objectivo deste projecto é trabalhar em equipa e em prol do doente, para ele aderir à terapêutica e ter melhores resultados. “Não nos podemos esquecer da família: muitas vezes o doente não tem condições para gerir a sua própria terapêutica”.
O papel do enfermeiro é, novamente, fundamental. Há que falar com a pessoa, definir os pontos chave a abordar, e promover a adesão à terapêutica. A primeira consulta de enfermagem é sempre presencial e uma óptima oportunidade para abordar os pontos chave de orientação e educação do doente.
A Dr.ª Sara Parreira apresentou os dados do ano passado, que, apesar de positivos, ainda não são satifatórios: 40 doentes submetidos a terapêutica oral antineoplásica foram à primeira consulta de enfermagem incluída neste projecto, e 33 deles precisaram da intervenção dos enfermeiros. Houve ainda um total de 96 follow-ups, a maioria deles telefónica.

_MG_6040

A apresentação da Plataforma Mielomas foi feita pela Dr.ª Ana Marques Pereira. “A participação dos enfermeiros é indispensável”.

Foi explicado durante esta apresentação o que é o mieloma, a relação envelhecimento-cancro, a incidência e a prevalência do mieloma múltiplo, o que é a plataforma e qual a importância do papel das associações de doentes. A Dr.ª Ana Marques Pereira fez também um pedido de envolvimento neste projecto.

O mieloma múltiplo é a segunda mais frequente doença oncológica. Mais de 75% dos doentes com esta doença são idosos (+65 anos). A incidência do mieloma não é conhecida em Portugal mas na Europa cada três em 100.000 habitantes por ano são atingidos por esta doença. A Dr.ª acrescentou que “cada vez estes doentes vivem mais tempo”.

“Interessa-nos dar informações aos familiares, uma vez que muitos doentes são idosos e muitos deles não vão à Internet, e a informação é colocada na Internet”. Esta plataforma pretender divulgar a patologia e informar os doentes e os familiares, porque os doentes informados aderem melhor às terapêuticas, e melhorar a vida de doentes nesta situação. Pretende também interagir com outras associações idênticas internacionais.

“O poder das associações dos doentes é grande, e o papel das associações dos doentes é muito importante. As associações dinâmicas podem ser influentes”. Existe um site para este projecto pro bono: www.mieloma.pt. Existe um vídeo no site que explica o que é o mieloma múltiplo, e também vai existir uma newsletter.

_MG_6012

O Simpósio da Sanofi, sobre a gestão do doente com CPRCm sob terapêutica com Cabazitaxel, foi apresentado pela Dr.ª Raquel Santos, do Hospital Santa Maria, que falou da sua experiência e da experiência da sua colega de trabalho, a Dr.ª Vanessa Nuñez, do mesmo hospital.

O cancro da próstata é o cancro mais frequente no homem com mais de 50 anos e é a segunda causa de morte por cancro no homem, sendo a primeira o cancro do pulmão.

O esquema de tratamento do cancro da próstata com Cabazitaxel foi aprovado em Portugal na avaliação prévia do Infarmed em Junho de 2014. A Dr.ª Raquela Santos falou sobre as indicações deste fármaco e o estudo que lhe deu aprovação, que foi o estudo TROPIC (ensaio de registo fase III), realizado em 26 países, em 146 centros. O objectivo principal deste estudo era a sobrevivência global. Foram também enunciados nesta apresentação os critérios de inclusão e exclusão.

O Cabazitaxel é um taxano de nova geração. O perfil de segurança deste fármaco é o já conhecido dos taxanos. Foram também enunciadas as suas contra-indicações.
A sobrevida global mediana com Cabazitaxel é de 15,1 meses, por oposição à sobrevida global mediana de 12,7 meses com Mitoxantrona.

O principal objectivo do trabalho da Dr.ª Raquel Santos e da Dr.ª Vanessa Nuñez era analisar a incidência dos efeitos adversos nos doentes oncológicos do Hospital de Santa Maria a quem foi administrado Cabazitaxel.
Os efeitos adversos incluem diarreia, neutropénia e anemia. A Dr.ª Raquel Santos explicou como é feita a gestão da reacção de hipersensibilidade, a gestão da neutropénia/neutropénia febril, nomeadamente no que diz respeito às complicações neutropénicas usando G-CSF, e a gestão da infecção urinária. Sublinhou também as precauções a ter no tratamento com Cabazitaxel e as advertências deste fármaco.

_MG_5936

O segundo e último dia deste congresso, 28 de Maio, teve como mote a sessão temática V, coordenada pela Dr.ª Ana Paula Moreira, sobre as terapêuticas multimodais nos diferentes estadios da doença hepatobiliar.

Para abordar o tema relativo à consulta de decisão terapêutica interveio a Dr.ª Fátima Teixeira, do IPO do Porto.
Em jeito de contextualização, o cancro do fígado é o 6.º tipo de cancro mais comum, e o hepatocarcinoma representa cerca de 90% dos carcinomas hepáticos. Os países mais desenvolvidos são os que apresentam taxas de incidência menores desta doença, enquanto que nos países menos desenvolvidos há taxas de incidência superiores, principalmente em países do continente asiático. “Na Ásia e em África temos uma percentagem muito grande de carga viral ligada à hepatite B. Na Europa a taxa de incidência da hepatite C é muito maior”.

A decisão terapêutica deve ser decidida numa consulta multidisciplinar, composta por um grupo de peritos. Esta consulta vai determinar qual o protocolo multimodal em termos de tratamento da doença hepática, com muito impacto muitas das vezes na doença hepática metastática. “A optimização do tratamento só é conseguida quando os profissionais envolvidos interagem e maximizam o seu conhecimento”.

A Dr.ª Fátima Teixeira utilizou essencialmente o exemplo da Unidade Hepato-Biliar-Pancreática do IPO do Porto. Falou sobre cancros primários e cancros metastizados, nomeadamente no que diz respeito à diferença entre estadios e à taxa de sobrevivência dos vários tipos de cancro hepático. Fez particular referência à doença metastátíca do colon e do recto, apresentando as várias hipóteses de decisão de terapêutica e acrescentado que “mesmo em termos de cirurgia não é uma cirurgia linear”.

“Neste tipo de doentes para nós todos os momentos são críticos”. De um momento para o outro podem surgir impedimentos à decisão terapêutica, o que implica uma reavaliação do doente. Deste modo, o doente tem de ser constantemente acompanhado e estar muito bem orientado. O enfermeiro faz a ponte entre os membros do grupo da consulta multidisciplinar e o doente e a família, e cabe-lhe também a tarefa de eliminar barreiras: “O nosso gestor do programa de cuidados é o enfermeiro. (…) Cada caso é um caso. Tem mesmo de haver um atendimento personalizado”.

Para aprofundar o tratamento cirúrgico da doença hepatobiliar esta sessão contou com o esclarecimento da Dr.ª Paula Teixeira, do Hospital Pedro Hispano, onde trabalha no bloco operatório.

A cirurgia é a primeira linha de tratamento dos tumores hepatobiliares. “A anatomia do fígado é bastante especial. O fígado é a maior glândula do corpo humano”. Para o cirurgião e para os enfermeiros que trabalham na cirurgia convém considerar o fígado um conjunto de oito segmentos.

Antes de apresentar as várias abordagens e técnicas cirúrgicas que podem ser utilizadas no tratamento da doença hepatobiliar, a Dr.ª Paula Teixeira referiu que “a visão do IPO do Porto é totalmente diferente da de um hospital que não é apenas e especificamente de tumores, em que também temos lesões benignas em pequena percentagem”.

Em relação às várias abordagens cirúrgicas, é importante durante a cirurgia a manobra de Pringle, que pode ser contínua ou intermitente. Quanto às técnicas cirúrgicas, a Dr.ª Paula Teixeira enumerou técnicas de dissecção (digitoclasia e kellyclasia), técnicas de electrocoagulação [CUSA (Cavitron Ultrasonic Surgical Aspirator), jacto de água, ligasure, utracision/harmonic, bisturi de gás Árgon e radiofrequência], técnicas de controlo vascular e
técnicas hemostáticas e adjuvantes, bem como a instrumentação cirúrgica habitualmente utilizada.
O cuidados perioperatórios assentam em várias acções como a vigilância dos sinais vitais e a monitorização de hemorragia, uma vez que a complicação pós-operatória mais frequente é efectivamente a hemorragia.

Sobre a terapêutica sistémica no tratamento da doença hepatobiliar foi dada a palavra à Dr.ª Ana Rosado, do IPO de Lisboa, que realizou o seu trabalho em conjunto com a Dr.ª Inês Rodrigues, também do IPO de Lisboa. Os objectivos deste trabalho passam por compreender a doença hepatobiliar e as opções terapêuticas sistémicas.

As Dr.ª Ana Rosado focou-se essencialmente no carcinoma hepatocelular, em relação ao qual foram analisados o tempo médio de vida do doente e o prognóstico com terapêutica nos vários estadios da doença. Apresentou os protocolos de quimioterapia e os tipos de cancro fatais, fazendo especial referência ao cancro do pâncreas.

Os enfermeiros intervêm na quimioterapia, nos cuidados paliativos, no ensino. Mas essencialmente “olhamos o doente como um todo: é uma abordagem holística (…) Aquilo que queremos realmente proporcionar ao doente é o aumento da qualidade de vida, e é nisso que nos concentramos”.

Para rematar este painel o Dr. Davide Fernandes, do IPO do Porto, abordou o tratamento loco-regional do carcinoma hepato-celular. O seu trabalho foi realizado em conjunto com a Dr.ª Amélia Cunha, também do IPO do Porto.

O carcinoma hepato-celuar é a quarta principal causa de morte em Portugal. A área de intervenção do Dr. Davide Fernandes é a radiologia de intervenção, área que está cada vez mais no centro da consulta multidisciplinar: “Não somos nós que decidimos o tratamento; no entanto, sem o nosso aval muitas vezes o doente não pode avançar”.

Um dos tratamentos que o Dr. Davide Fernandes aprofundou foi a termoablação por radiofrequência (RFA). “Porquê isto em vez de cirurgia ou quimioterapia?”. Há uma menor mutilação hepática e a mortalidade é negligenciável se se usar este tratamento. O mesmo é repetível dependendo do tamanho da lesão. As complicações major passam por hematomas hepáticos, embolias pulmonares e morte, e as complicações minor englobam, entre outros, o síndrome pós-ablação, que é em tudo semelhante a uma gripe.”Não está bem explicado e não sabemos bem por que razão ele surge” .

Antes e depois do tratamento por RFA, e durante o mesmo, intervêm cerca de dez enfermeiros. Este tratamento implica multidisciplinaridade, é muito diferenciado, está em expansão e está em inovação. “A radiologia de intervenção é o futuro”.

_MG_5741

No início da tarde, a Dr.ª Lena Sharp, presidente eleita da EONS, abordou a segurança do doente no tratamento do cancro e o papel dos enfermeiros.

A terceira maior causa de morte de doentes nos EUA em 2013 foi erro médico. O erro médico está associado essencialmente a dois factores: a comunicação profissional inadequada e a administração dos medicamentos. A comunicação é muito importante e os enfermeiros desempenham um papel essencial para tornar esse factor eficaz. É necessário haver uma boa comunicação entre os enfermeiros, o doente, os cuidadores do doente, os médicos que acompanham o doente: “Alteraram a medicação a 88% dos doentes oncológicos de um serviço de oncologia. 56% não sabia!”. Para se evitar situações como esta, e outras que impliquem uma falha na comunicação, a Dr.ª Lena Sharp dá vários conselhos sobre como tornar a comunicação efectiva, tanto quando a situação é calma como quando é stressante ou quando acontece um erro.

No que concerne a administração dos medicamentos, a Dr.ª Lena Sharp aponta que “86% dos erros cometidos por médicos, farmacêuticos e outros profissionais de saúde foram detectados por enfermeiros, e assim evitados”. Deste modo, sugere várias formas de evitar que estes erros (cujas causas são, por exemplo, distracção e/ou stress) aconteçam. Estas formas passam por, entre outros, criar uma base de dados digital e usar ferramentas de comunicação eficazes.

_MG_5920

No início do Simpósio da Codan foi apresentado um breve vídeo de apresentação do fármaco Pembrolizumab e do seu modo de actuação.

A Dr.ª Graça Braz, do IPO do Porto, abriu este simpósio, apresentando os palestrantes.

A Dr.ª Ida Virtala, que trabalha na área de enfermagem e na área educativa da oncologia no Hospital Universitário de Skane, na Suécia, falou, na sua intervenção, sobre a segurança do doente e a importância do papel dos enfermeiros no que diz respeito à administração de medicamentos citotóxicos, bem como no que se refere aos cuidados de higiene em meio hospitalar.
A Dr.ª Graça Braz acrescentou que a Dr.ª Ida Virtala se centralizou na importância da equipa de segurança na administração da quimioterapia. “Todos têm de cumprir as regras de segurança, porque alguém que viole o procedimento está a prejudicar os colegas e os doentes”.

Para apresentar o novo sistema de administração de citostáticos interveio o Dr. João Moreira, do IPO de Coimbra. Este novo sistema inclui uma actualização das normas de segurança que já existiam: por exemplo, actualmente a administração de citostáticos é feita em circuitos fechados.

_MG_5847

A sessão temática IV, “Um Novo Passo no Tratamento do Cancro do Pulmão”, contou com a apresentação da Dr.ª Esmeralda Barreira, do IPO do Porto e coordenadora do Grupo de Estudos do Pulmão. Esta sessão teve o apoio da Boehringer Ingelheim Portugal.

A Dr.ª Maria João Vergueiro, do Departamento Médico Boehringer Ingelheim Portugal, focou-se no tratamento do cancro do pulmão com Afatinib. “O estadio do diagnóstico está continuamente relacionado com a sobrevida aos cinco anos (…) e o estadio 4 ainda é bastante dramático”.
Aprofundando as características, as dosagens recomendadas, e os efeitos adversos do Afatinib, a Dr.ª Maria João Vergueira apresentou estudos que indicam um favorecimento do Afatinib no tratamento do cancro do pulmão em detrimento de outras terapêuticas. “Em termos de eficácia estamos seguros de que o resultado é positivo para o Afatinib”.

A Dr.ª Ana Barreto, da Fundação Champalimaud, realçou as complicações no tratamento do cancro do pulmão com Afatinib e como geri-las.
O enfermeiro tem um papel muito importante na gestão de complicações, e as suas competências passam pelo conhecimento aprofundado do medicamento e dos respectivos efeitos adversos, de forma a que possa acompanhar devidamente o doente e a sua família. É também muito importante que o enfermeiro saiba comunicar com o doente e a família, fazendo uso da sua competência profissional mas também da sua sensibilidade. “Devemos sempre, mas sempre, centrar as nossas intervenções no doente e na sua família”.
Nesta parte da sessão foram abordadas também as intervenções precoces e as intervenções reactivas no contexto dos efeitos adversos do Afatinib.

O Dr. Jorge Freitas apresentou o Programa Educacional na Área do Cancro do Pulmão. Trata-se de um programa de educação para enfermeiros, que dá aos mesmos a hipótese de fazer melhor a gestão destes tratamentos. “É necessário que os enfermeiros utilizem as estratégias certas para que os doentes possam ser mais bem tratados”.

_MG_5769

A Dr.ª Juliana Santos, do IPO do Porto e membro do Grupo de Estudos da Dor (GED), deu início ao Simpósio do grupo farmacêutico Angelini, apresentando o programa desta sessão, que se focou no estado de arte da dor irruptiva, e referiu que a dor irruptiva é muito típica e ocorre com bastante frequência em oncologia. “Muita gente não sabe reconhecer [grupos profissionais: médicos, enfermeiros…] esta dor”.

A Dr.ª Carina Raposo, do Centro Hospitalar do Porto, especialista em enfermagem de reabilitação e coordenadora do GED, introduziu o conceito de dor irruptiva, avançando posteriormente para a gestão deste tipo de dor, algumas características da mesma e como a reconhecer: “Cabe-nos a nós fazermos uma correcta avaliação do nosso doente”.

O livro “Entender a Dor Oncológica”, elaborado e editado pelo GED, é muito relevante no que diz respeito à entrevista clínica do doente na avaliação da dor e à dor irruptiva oncológica, bem como ao tratamento e ao acompanhamento do doente.
O interesse no correcto tratamento da dor irruptiva oncológica leva a falar-se de novos tratamentos, nomeadamente em relação a um novo fármaco, Vellofent, que foi nesta sessão apresentado pela Dr.ª Sofia Antão, do grupo farmacêutico Angelini.

A Dr.ª Sofia Antão apresentou vários aspectos do fármaco Fentanilo, que tem décadas de utilização: “A utilização de Fentanilo no tratamento da dor irruptiva é indicada como primeira escolha”. Mas o que pode então o novo fármaco, Vellofent, trazer de novo aos doentes com dor irruptiva? Através de uma explicação aprofundada da formulação do medicamento, a Dr.ª Sofia Antão concluiu que o mesmo leva a uma melhor absorção pelo organismo, logo, a um aumento da biodisponibilidade. Este fármaco leva também à ocorrência de acção analgésica aos seis minutos, o que o torna mais rápido a fazer efeito analgésico do que os outros fármacos utilizados no tratamento da dor irruptiva.
As questões práticas da administração e da utilização deste novo fármaco em doentes com este tipo de dor e os efeitos adversos do tratamento em causa foram também analisadas.

Reforçando o tema desta sessão e sublinhando a importância da correcta avaliação do doente, de modo a que a dor irruptiva, existindo, seja detectada, a enfermeira Juliana Santos apresentou algumas guidelines sobre como identificar este tipo de dor e gerir o seu tratamento.

_MG_5693

O Dr. Emanuel Gouveia, do serviço de oncologia médica do IPO de Lisboa, especificamente da consulta multidisciplinar de cancro cutâneo, iniciou a sessão temática III, sobre a terapêutica alvo no melanoma e a utilização de Vemurafenib e Cobimetinib no tratamento do melanoma metastático, bem como a importância da gestão e da prevenção de acontecimentos adversos.

“O melanoma é o 6.º cancro mais diagnosticado”. O Dr. Emanuel Gouveia apresentou factores de risco, como a importância da prevenção, por ser “o primeiro passo para evitar que tenhamos casos de melanoma avançado”, e o diagnóstico precoce (lesões como alterações na coloração ou hemorragia). Embora a maior parte dos casos surja com doença localizada, nos estadios 1 e 2, há vários casos de doentes em estadio 3 e 4. O prognóstico de um doente em estadio 3 é muito mais reservado e a probabilidade de haver evolução para estadio 4 é muito elevada.

Há que haver uma “abordagem personalizada e multidisciplinar do melanoma avançado”, ou seja, há que reunir uma equipa em que existam profissionais de várias áreas médicas, como a cirurgia, a dermatologia, e os cuidados paliativos”, na gestão das toxicidades das terapêuticas. “O trabalho de equipa é importante”.

A propósito da utilização de Vemurafenib e Cobimetinib no tratamento do melanoma metastático, o Dr. Emanuel Gouveia enumerou os factores a considerar na decisão da terapêutica, bem como os resultados de eficácia da mesma e os eventos adversos associados.
Apesar do sucesso desta terapêutica, o Dr. Emanuel Gouveia relembrou que os resultados continuam a ser insuficientes, e que continuam a ser realizados estudos relativos a esta e outras terapêuticas, uma vez que “queremos sempre o melhor para os nossos doentes”.

O Dr. João Prata, do IPO de Lisboa, abordou a importância da gestão e da prevenção de acontecimentos adversos. Para isso, é preciso que as linhas de orientação para o tratamento sejam definidas, e que se esteja ciente da eficácia das terapêuticas alvo. É também crucial que a informação sobre os efeitos adversos seja transmitida ao doente, tendo em conta que há efeitos adversos preveníveis, como a fotossensibilidade.

A Dr.ª Patrícia Lourenço, da consulta de enfermagem de oncologia médica e hematológica no IPO de Lisboa, explicou as competências do seu serviço e a necessidade de vigiar de perto o doente, para prevenir situações como a da não adesão terapêutica (intencional ou não). Em relação a esta situação em específico, a Dr.ª Patrícia Lourenço apelou à necessidade de encontrar estratégias para aumentar essa adesão, nomeadamente através do aumento do acompanhamento do doente e da família.
As formas de melhorar o acompanhamento e a educação do doente passam por informá-lo em relação à posologia do medicamento e aos efeitos adversos, por exemplo.

_MG_5641

No Simpósio da Leo, sobre o percurso do doente com trombose associada a cancro, a Dr.ª Ana Pais, do IPO de Coimbra e membro do Grupo de Estudos de Cancro e Trombose (GESCAT), chamou a atenção para o impacto da trombose associada ao cancro. O tromboembolismo venoso é um importante problema de saúde pública, e o doente oncológico enfrenta um risco quatro a sete vezes superior de ter um evento tromboembólico do que um doente não oncológico.

Depois de abordar pontos importantes, como o diagnóstico, o plano de tratamento, e a gestão dos efeitos secundários, a Dr.ª Ana Pais alertou para o facto de existir ainda “algum desconhecimento do impacto no doente na perspectiva do próprio e no contexto da doença oncológica”.

É importante referir ainda que o acesso do doente à informação é muitas vezes parco ou inexistente, pelo que “todos temos o dever de educar e informar o doente”. Na sequência da constatação deste facto, a Dr.ª Ana Pais apresentou à audiência um exemplo de educação do doente: um vídeo que indica os sintomas de um evento tromboembólico, o que fazer numa situação de experiência de algum desses sintomas, e formas de tratamento e vários cenários possíveis caso haja efectivamente um evento tromboembólico.

_MG_5544

A sessão temática II começou depois de um pequeno vídeo de apresentação da Takeda Portugal, organizadora e promotora deste simpósio sobre o papel do Brentuximab Vedotina nos linfomas CD30+, com as palavras da Dr.ª Filomena Carichas, Directora Médica da Takeda. “O enfermeiro pode ser um excelente veículo”, pois quanto maior for o conhecimento do enfermeiro maiores serão as vantagens para o doente.
O Brentuximab não está disponível no mercado em Portugal, mas já há cerca de 60 doentes tratados com este medicamentos.

A propósito da mais valia do Brentuximab Vedotina no tratamento do Linfoma de Hodgkin e sALCL, a Dr.ª Marília Gomes, do serviço de hematologia da Clínica CHUC, abordou a patologia em si e o que o Brentuximab pode trazer aos doentes que tenham indicação para este medicamento.

A Dr.ª Cristina Lacerda, do IPO de Lisboa, focou os aspectos práticos na perspectiva de quem administra o Brentuximab. Aprofundou questões pertinentes, como o facto de ser frequente os doentes não valorizarem os sintomas (atrasando a detecção da doença), as toxicidades associadas a outros medicamentos, as vantagens do Brentuximab face aos outros tratamentos, e o papel muito importante dos enfermeiros no tratamento e no acompanhamento do doente.

_MG_5499

O Simpósio da Roche, sobre os novos horizontes no cancro da mama metastático HER2+ foi iniciado pela Dra. Camilia Coutinho, do Hospital de Guimarães, que apresentou alguns casos clínicos e apontou que os resultados são muito consistentes neste tipo de terapêutica.”A eficácia dos fármacos é um factor importante mas é muito importante não acrescermos toxicidade, pelo que os doentes acabam por manter uma certa qualidade de vida”.

A Dra. Sónia Oliveira, do Centro Hospitalar de Lisboa Central (CHLC), apresentou estudos aprofundados sobre o cancro da mama da subespécie HER2+ e os ensaios clínicos que levaram à aprovação de Trastuzumab, de Lapatinib, e de Pertuzumab no tratamento dos doentes com este tipo de cancro. Verificou-se o aumento de um intervalo livre de progressão dos doentes sujeitos a estas terapêuticas, e em alguns casos a sobrevivência livre de progressão. Apesar disso, a Dra. Sónia Oliveira mencionou também os efeitos adversos observados, tanto na sequência do tratamento do HER2+ com estas terapêuticas como na sequência do tratamento de outras variantes do cancro da mama.

_MG_5418

A sessão temática I contou com a intervenção das enfermeiras Elisabete Valério, Presidente da AEOP, Sara Parreira, do Hospital Fernando da Fonseca, Idalina Pinho, da Clínica da Mama do Porto, e Marisa Matos, do serviço de radioterapia do IPO Porto.

Antes de passar a palavra, a enfermeira Elisabete Valério relembrou a audiência de que “nós [enfermeiros] sabemos o conceito de qualidade de vida”, e daí a importância deste painel.

A enfermeira Sara Parreira abordou a questão da evolução dos tratamentos do cancro da mama, aprofundando o conceito de quimioterapia Dose Dense (DDC). O estabelecimento de esquemas Dose Dense pretende atingir a máxima morte celular através da redução do tempos entre os ciclos de quimioterapia. “Hit them while they are down”.

Apresar de se ter verificado uma melhoria da sobrevivência com significado estatístico em vários ensaios clínicos realizados em mulheres com cancro da mama cujo tratamento utilizado foi a DDC, “ainda é necessário fazer-se mais investigação para perceber a eficácia terapêutica a longo prazo da quimioterapia Dose Dense”.
A enfermeira Sara Parreira fez ainda referência ao papel fundamental dos enfermeiros no tratamento de um doente.

A enfermeira Idalina Pinho apresentou um estudo sobre os cuidados pós-operatórios da cirurgia da mama em doentes com alta precoce, que pretendeu avaliar o grau de satisfação dos doentes nesta situação. Concluiu-se, entre outros aspectos, que ainda há alguma reticência da parte dos funcionários dos cuidados de saúde primários em tratar destas doentes. A maioria dos doentes que participaram no estudo sentiu que os cuidados e o acompanhamento recebidos na Clínica de Mama foram muito bons.

O controlo da doença localmente avançada, com especial atenção à quimioterapia e à radioterapia, foi um tema abordado pela enfermeira Marisa Matos. Comentou o papel de radioterapia, bem como o esquema de tratamento, e o conceito de radiossensibilizadores. Embora se estejam a fazer progressos no que concerne a utilização deste tratamento (QT/RT), são necessários mais estudos para determinar o timing óptimo para iniciar este tratamento e a toxidade a longo prazo.

No fim desta sessão, a enfermeira Elisabete Valério referiu que o cancro da mama é a neoplasia mais frequente na mulheres, aproveitando para relembrar os enfermeiros presentes e o público em geral da importância de linhas de tratamento orientadoras, boas práticas e conselhos aos doentes no domicílio.

Pedro Rosa

Realizou-se ontem, com o apoio da Takeda Portugal, o curso sobre a Apresentação Eficaz de Resultados em Posters, ministrado pelo Prof. Doutor Pedro Rosa, da Eurotrials. Nesta sessão, falou-se de formas de tornar um poster atractivo, tendo em conta vários factores, como o número de palavras e a infografia usada. O uso das tecnologias é fundamental, e a preferência pela língua inglesa também, uma vez que é a língua mais usada na comunidade científica. Há que ter também em conta o ciclo de um poster (pré, durante, e pós): “há pessoas que se esquecem de que há vida depois do poster”. O Prof. Doutor Pedro Rosa esteve a tentar demonstrar os erros normalmente cometidos na construção de um poster, na tentativa de melhorar a comunicação através deste meio visual. “Um poster é uma história muito bem contada. Tem de estar tudo muito bem segmentado, e essa segmentação é fundamental”. Segundo o Prof. Doutor Pedro Rosa, estes conhecimentos são fundamentais para os enfermeiros porque “existe muitas vezes uma dificuldade em transpor os resultados no seu formato numérico para a sua forma substantiva e gráfica”. Saber como construir um poster aumenta a probabilidade de o trabalho ser visto e reconhecido. “Muitas vezes as pessoas pensam que um poster não e mais do que a transformação de um abstract, de um resumo, para a sua parte gráfica. É muito mais do que isso”.

Tomar_pdfTomar dá-lhe as boas-vindas e convida-o a conhecer os seus segredos…

Cidade localizada nas margens do rio Nabão, pertencente ao distrito de Santarém na província do Ribatejo, com uma área de 351 km2 e 41.537 habitantes, foi conquistada ao Mouros por D. Afonso Henriques em 1147 sendo depois doada por este monarca aos Templários em 1159. A 1 de março de 1160 foi fundada Tomar com o início da construção do castelo. D Gualdim Pais concedeu-lhe foral em 1162.
Com a extinção da Ordem do Templo em 1312 por decisão do Papa Clemente V, que queria ver os templários banidos da Europa, foi fundada a Ordem de Militar de Cristo. Devido à necessidade de defender a fronteira algarvia, a sede desta Ordem transferiu-se para Castro Marim. Trinta e sete anos depois, voltou a fixar-se em Tomar mais concretamente no seu castelo.
Assim Tomar viria a ser o centro originador e principal sustentador da epopeia dos Descobrimentos. O Infante D. Henrique, nomeado pelo Papa como Regedor da Ordem de Cristo, viria a instalar-se no castelo de Tomar.
Foi elevada à categoria de cidade em 1844, tendo sido visitada pela Rainha D. Maria II no ano seguinte.

No dia 27 de Maio, entre as 19h e as 20h, faremos um passeio pela história de Tomar com passagem pelos lugares mais emblemáticos da cidade. Junte-se a nós!

 Catarina_MarquesO grupo de estudos da hemato-oncologia (WG Hemato-Oncologia) da AEOP é coordenado pela Enfermeira Catarina Marques. Trata-se de uma área complexa, não só pela gravidade de algumas das patologias, mas também pelo aparecimento rápido de novas terapêuticas da área. “Esta complexidade implica para o pro ssional uma actualização constante que vai para além dos conhecimentos técnicos”. Para que consiga desenvolver um cuidado individualizado e centrado no doente, o pro ssional precisa de ter em conta o impacto que o diagnóstico e os tratamentos, nomeadamente a quimioterapia e a radioterapia, têm neste e na sua família, procurando aumentar o seu conforto e diminuir o seu sofrimento. “Além disso, esta área não só acarreta um elevado custo sócio-económico como uma elevada mortalidade, cujo impacto não só afecta a família do doente como também os pro ssionais que lidam com ele diariamente, levando a um grande desgaste pessoal”.

O WG Hemato-Oncologia pretende assim conseguir mobilizar colegas com trabalho especí co na área, no sentido de dinamizar e divulgar informação e conhecimento actualizado, promovendo a sua partilha. Para tal há que ter em conta os diferentes contextos e procurar a excelência e as boas praticas nos cuidados de enfermagem. “Pretendemos também continuar a colaborar com a hemato-oncologia e a participar em eventos cientí cos na área, nomeadamente na reunião da AEOP”. Na reunião nacional deste ano o WG Hemato-Oncologia vai ter duas mesas: uma relativamente ao linfoma de Hodgkin, sobre o fármaco Brentuximab, e uma outra que diz respeito à enfermagem oncológica e qual o seu futuro a nível europeu e a nível nacional”.

O que espera que a AEOP 9 traga de novo à área da hemato-oncologia? Esperamos que saiam desta reunião algumas linhas de consenso, por forma a todos termos o mesmo protocolo de procedimento, quer a nível de administração de fármacos, quer mesmo a nível de conhecimentos. Se calhar ainda precisamos de pesquisar um pouco mais e saber o que existe, não só a nível do nosso país mas também a nível da europa.

Esmeralda_Barreira

A incidência do cancro do pulmão tem aumentado 0.5% anualmente, sendo o segundo cancro com maior mortalidade em Portugal. Esta patologia tem por estes motivos sido objeto de intensa investigação, em todos os aspetos a ela relacionados desde a área do diagnóstico precoce até ao desenvolvimento de novas propostas de tratamento.

A nível nacional a AEOP tem impulsionado os enfermeiros a desenvolverem as suas competências no cuidar do utente oncológico. O cancro do pulmão, pelos motivos acima expostos não poderia estar ausente deste esforço, sendo alvo preferencial da atuação de um grupo de trabalho especí co no seio da AEOP. Assim, o Workgroup Pulmão procura juntar sinergias de diferentes locais de trabalho; enfermeiros do IPO – Porto do Hospital Pulido Valente e da Fundação Champalimaud – Lisboa. Este grupo de trabalho promove a partilha de experiências de prática clínica, e a divulgação dos novos conhecimentos resultantes da intensa investigação e desenvolvimento na área.

Um exemplo da partilha e divulgação dos conhecimentos clínicos, técnicos e cientí cos pode ser observado nos encontros da primavera da AEOP, onde o grupo do pulmão organizou uma sessão sobre o estado da arte do tratamento do cancro do pulmão, as intervenções na gestão das toxicidades terapêuticas, bem como as novidades nas terapêuticas orais.

De resto, a promoção de intercâmbios de experiências pro ssionais em todas as áreas com inovação acelerada tem sido uma preocupação constante da AEOP. Também a inovação nas terapêuticas orais tem motivado o intercâmbio de experiências pro ssionais diretamente promovido pela AEOP. Um exemplo deste trabalho foi a promoção da análise e discussão do programa educacional do afatinib, trabalho cujo resultado nal será apresentado nesta reunião nacional.

Veri camos que quanto mais diversi cado for este Workgroup do pulmão mais enriquecido será o trabalho desenvolvido. Por isso são sempre bem vindos novos enfermeiros com experiência no cuidar do utente com patologia do pulmão.

Ana_Paula_Moreira

É já nos dias 27 e 28 de Maio na nona Reunião Nacional da Associação de Enfermagem Oncológica Portuguesa (AEOP), no Hotel dos Templários, em Tomar que o Workgroup Digestivos (WGD) vai partilhar mais um momento de formação com todos os presentes. Este grupo pretende divulgar neste evento, as linhas de consenso das Ostomias de Alimentação dirigidas aos cuidadores – Cuidados à sonda de gastrostomia ou botão, e apresenta uma mesa onde se vai abordar a dinâmica das boas práticas em enfermagem relacionadas com o Cancro Hepato-biliar desde o seu diagnóstico, a decisão terapêutica e o respectivo tratamento multimodal.

O WGD participou em 2015 nos eventos programados, nomeadamente no 11o Congresso Nacional de cancro Digestivo em parceria com o Grupo de Investigação de Cancros Digestivos (GICD), que se realiza todos os anos em Outubro, também já agendado para o corrente ano, e na 8a Reunião nacional da AEOP. Ana Paula Moreira, coordenadora do WGD, conta que a dinâmica da intervenção deste grupo em particular tem sido para além da participação nos eventos cientí cos, dando a conhecer o que de mais inovador tem acontecido na área do cancro digestivo; a criação de linhas de consenso visando ser um documento de apoio para a melhoria da pratica diária dos enfermeiros. Em 2015 publicámos as linhas de consenso – Cuidados à sonda de gastrostomia ou botão para os cuidadores. Foi um dos momentos mais grati cantes do nosso trabalho, pois este tem-se revelado um documento de recurso para os cuidadores de doentes com ostomias de alimentação possuidores de dúvidas que o documento esclarece.

Na reunião nacional deste ano o grupo coordenado por Ana Paula Moreira não vai deixar que este documento seja esquecido: “é uma mais-valia para o doente, para os cuidadores e para os nossos colegas, mesmo os que não estão na área da oncologia mas que estão nos cuidados de saúde primários e continuam os cuidados para além do que está sistematizado a nível dos cuidados diferenciados”. Embora os doentes e os cuidadores sejam orientados de modo a poderem dar continuidade aos cuidados à ostomia – no momento de colocação da sonda, por exemplo – muitas vezes o doente não está devidamente preparado para “absorver” toda a informação que está a ser fornecida e por outro lado aprender tudo o que está a ser ensinado. A ansiedade em relação à situação supera a sua atenção, e mesmo os cuidadores frequentemente não estão preparados para tal. Torna-se, então, de extrema importância a existência de um guia de apoio para quando existir alguma dúvida. Este grupo de estudos já elaborou outras linhas de consenso dirigidas para pro ssionais e que se encontram disponíveis no site da AEOP.” E somos nós, grupo de trabalho, com o consenso dos peritos na área, que elaboramos estas linhas de consenso. Esta é a nossa área de acção”.

Quanto ao segundo ponto do programa do WGD, Ana Paula Moreira explica que o objectivo é dinamizar e dar a conhecer a forma como se estão a agilizar as últimas linhas relacionadas com o Cancro Hepato-biliar. Falar-se-á essencialmente sobre a consulta de decisão terapêutica, que é fulcral, e as boas práticas relacionadas com a enfermagem no tratamento destes doentes. Este tema foi alvo de muita discussão e uma mais valia para a nossa pratica no evento cienti co – 11o Congresso Nacional de cancro Digestivo, promovido pelo GICD”.

Na página deste grupo de investigação há informação disponível para a enfermagem, é a AEOP pelo WGD que gere e dinamiza o seu conteúdo. “Estamos a tentar agilizar, em função da informação que já temos disponível na nossa página da AEOP, partilhar o mesmo conteúdo nessa pagina. Na saúde trabalhar em equipa é fundamental, faz todo o sentido”.

Carina_Raposo

O grupo de estudos do controlo da dor (WG Dor) vai, em conjunto com um laboratório, participar num simpósio na AEOP 9, onde se tratará o tema da dor irruptiva. O objectivo é fazer uma pequena abordagem teórica sobre a dor irruptiva oncológica, como o enfermeiro deve avaliar esta dor, e quais os fármacos disponíveis no mercado para o tratamento da mesma. Carina Raposo, coordenadora deste grupo de estudos, explica que “a formação é fundamental para o pro ssional. O que se pretende é que os enfermeiros tenham mais conhecimentos. Se um enfermeiro tem mais conhecimentos de uma área vai educar mais o seu doente, vai transmitir e adaptar os seus conhecimentos ao doente e aos prestadores de cuidados sobre como utilizar um determinado medicamento no tratamento da dor. Isso é muito importante”.

Um trabalho desenvolvido no ano passado pelo WG Dor ganhou o prémio de melhor trabalho de investigação no último congresso da AEOP, “o que muito nos agradou. Somos um grupo de colegas, alguns do Porto, outros de Lisboa, Londres. Temos tido o apoio de Professores de duas Escolas de Enfermagem. Tratou-se de um trabalho preliminar, sobre os conhecimentos e as atitudes dos enfermeiros perante a dor, que vai este ano dar lugar a algo mais amplo, de investigação a nível nacional. “Vamos fazer um trabalho de validação linguística e cultural de um instrumento de conhecimentos”.

No ano passado o WG Dor também editou um livro educativo para os utentes, para os doentes e prestadores de cuidados, que se intitulou “Entender a Dor Oncológica”, e que teve o objectivo de explicar aos doentes com dor relacionada com cancro o que é a dor oncológica, como lidar com ela, e quais os medicamentos que podem aliviá-la. Fizemos também a tradução para português do guia de bolso da EONS para pro ssionais de saúde sobre a “Dor irruptiva oncológica”.

Cerca de 30% dos doentes cujo cancro está controlado podem experienciar dor crónica. “Por exemplo, duma mastectomia resultante de um cancro da mama pode resultar uma dor neuropática. A doença está controlada mas a dor persiste. Isso é comum e frequente noutros cancros também”. Em muitas situações há uma cronicidade da dor. Pode ser controlada ou aliviada, com medicamentos e tratamentos, no entanto, não quer dizer que desapareça. Um tipo de dor que o doente pode sentir é a irruptiva: “surge num quadro de dor parcialmente controlada com medicação, em que o doente tem uma exacerbação da dor, um pico de dor, mais intenso, mais agudo, que deve ser controlado mais rapidamente.

Quase todos os hospitais (“atrevo-me a dizer todos os hospitais”) têm cobertura na abordagem e tratamento da dor aguda e dor crónica. Já não se fala em tratar a dor, no sentido de a curar, mas sim em aliviá-la, em fazer com que a intensidade e as características da dor sejam menores e menos incapacitantes para o doente. Este simpósio sobre dor irruptiva será um excelente momento de formação para os enfermeiros”.